terça-feira, 20 de julho de 2021

Audrey Bourgeois - Esmague, ou você será esmagado!



Como vocês devem ter visto, tanto aqui quanto no Mindstorm a minha história sobre o Rei Vegeta já está no terceiro capítulo. E para impedir que haja um desnível (por assim dizer) de capítulos entre as duas plataformas, resolvi trazer para cá esse é um ensaio one-shot sobre a mãe da Chloé Bourgeois, a dona Audrey Bourgeois, que faz um tempo postei no Spirit e agora estou trazendo para cá. A rainha do estilo, por si mesma, como vocês nunca viram antes. Espero que gostem:

Diz a lenda que por onde o cavalo de Átila, o rei dos hunos, pisava nada mais nascia. Em vida, Átila foi um homem muito poderoso, talvez o mais poderoso de seu tempo (século V). Isso a tal ponto que os dois Impérios Romanos, o do Ocidente e o do Oriente, estavam sob seus joelhos, sujeitos a suas incursões e ataques de pilhagens. Os exércitos de Átila chegaram às cercanias tanto de Constantinopla (capital do Império do Oriente) quanto de Roma (capital do Império do Ocidente). Minha Paris natal também esteve à mercê de suas hordas em 451, embora não tenha sido invadida por elas.

Nasci em uma típica família de classe média de Paris, os Legrande. Uma família distinta, cuja casa se situava em um típico bairro de classe média parisiense de meados do século passado. Ao contrário do que muitos podem pensar, os meus anos de infância e juventude foram tudo, menos maravilhosos. Na verdade, foi um tempo muito penoso e horrível para mim. Mas que, por outro lado, ajudaram a moldar quem eu, Audrey Bourgeois, a rainha do estilo, sou hoje.

E por que foram penosos e difíceis para mim? Porque eu era tratado como se fosse uma verdadeira pária dentro de minha própria família. Eu tenho uma irmã chamada Lilianne. E ela era a queridinha da família. Já eu, por outro lado, era a ovelha negra da família.

Pois bem, enquanto que meu pai, Thierry, e minha mãe, Valérie, diziam que minha irmã Lilianne tinha um brilho especial, irradiava luz por onde passava, diziam que eu era carrancuda, rancorosa e que só queria saber de estudar e trabalhar. Lilianne tinha tudo, enquanto que eu nada. Era como se eu mesmo tivesse sido abandonada não no meio de uma floresta, mas dentro da minha própria casa. Ai como eu odiava essas comparações vazias!

Mal sabiam eles que o estudo e depois o trabalho era para mim uma válvula de escape, na qual eu podia me livrar de todo esse drama, um refúgio no qual eu me via livre desse inferno, ainda que por alguns minutos ou horas.

E na escola a situação não era nem um pouco diferente: a minha irmã era uma garota extremamente popular e querida por todos, todos queriam ser amigos dela e até a cortejavam, ao passo que eu igualmente era tratada como se fosse a sombra da minha irmã. A tal ponto que me caçoavam na escola dessa forma: a sombra da Lilianne! Ou seja, tanto em casa quanto na escola, minha irmã tinha tudo, enquanto que eu tinha nada. Era como se fosse a diferença entre o paraíso e o inferno. E o que é pior: dentro de casa!

Entretanto, a minha juventude também foi um período de aprendizado de lições valiosas para a vida, que levarei comigo até o dia de meu último suspiro. No fim das contas, cheguei à conclusão de que na vida existem dois tipos de pessoas. Aquelas que pisam nos outros, e aqueles que são pisados por outros. A verdade sobre o mundo é essa, essa é a verdadeira hierarquia que rege esse mundo, e a história prova isso! Afinal, poder não se conquista distribuindo flores aos outros. Conquiste, ou você será conquistado. Esmague, ou você será esmagado. Humilhe, ou você será humilhado. Devore, ou você será devorado. Cace, ou você será caçado. Essa é a verdade cristalina desse mundo que ninguém tira de mim. E todos aqueles que dizem o contrário estão muito enganados.

E descobrir tal verdade foi redentor para mim. Decidi que um dia haveria de encontrar meu lugar no mundo. E assim aconteceu. Fui capaz de virar o jogo me impondo perante os outros, e pouco a pouco as pessoas que até então me caçoavam passaram a me respeitar, e uma garota em especial tornou-se minha amiga, a tal da Desirée. Desde esse momento, ela passou a me seguir de um lado para outro e até se propõe a fazer as minhas lições de casa. É a minha fiel escudeira, que faz tudo por mim.

Os anos se passaram, e os vários anos de estudo e trabalho deram seus frutos. Eu e Desirée seguimos rumos diferentes. Eu e minha irmã também seguimos caminhos diferentes, já que casamos com homens diferentes. Mas jamais vou esquecer toda a humilhação que passei na minha juventude sendo comparada a ela. Quanto mais longe ela ficar de mim, melhor. Ela, aquele marido patético dela e aquelas filhas gêmeas deles, que são umas ridículas de dar dó. Eles estão despedidos! Não só deles, como também dos meus pais.

Casei-me com um homem chamado André Bourgeois, um aspirante a diretor de cinema que se tornou o Prefeito de Paris, e me tornei uma das principais críticas de moda de todo o mundo. Tive uma filha, chamada Clotilde (na verdade, sempre esqueço o nome dela), e realizei meu sonho de trabalhar em Nova York em uma das principais revistas de moda do mundo.

Os anos se passaram, pessoas vão e vem na minha vida, mas uma coisa é certa. Que eu nasci para brilhar nesse mundo e ao mesmo tempo ter um séquito de servos me servindo, que nem a minha velha amiga Desirée. Espero que minha filha Charlotte siga os meus passos.



Um comentário:

  1. Amei o histórico da mãe da Cloe,
    Audrey Bourgeois .

    Uma mulher que se tornou forte , ao vencer as viscissitudes da vida, embora de um jeito errado.


    Adoro esse tipo de trabalho.

    ResponderExcluir