JIRAYRIDER
ASSISTIU... JIRAYRIDER RECOMENDA
NOS ENGANARAM
DIREITINHO: O ROTEIRO NADA DOCE DE GAVV
Kamen Rider Gavv —
quando uma série sobre doces resolveu amargar a nossa alma
Olá, leitores do Nipo Heroes!
SAUDAÇÕES JIRAYRIDERANAS!
ATACK RIDE... GOTCHANKOOOO!!!
Sim, meus amigos, o Jirayrider
voltou!
Após o primeiro artigo falando
sobre a série Kamen Rider Ryuki, aqui estamos nós para mais uma viagem pelo
universo dos Kamen Riders.
E desta vez vamos falar de uma série
que conseguiu uma proeza que eu sinceramente não esperava:
uma série que me enganou.
Mas me enganou bonito!
Daquelas que fazem você olhar
para trás e pensar:
“Malditos roteiristas!”
Estou falando de...
KAMEN RIDER GAVV!
E já vou avisando:
Se você acha que uma série sobre
doces necessariamente precisa ser doce, alegre e colorida...
Meu amigo...
Nós fomos enganados direitinho.
PRIMEIRO, PRECISO CONFESSAR UMA
COISA...
Antes de falar de Gavv, preciso
voltar um pouquinho no tempo.
Eu estava decepcionado com o
final de Kamen Rider Gotchard.
E olha que Gotchard tinha tudo
para ser uma série excelente!
Alquimia.
Cartas.
Criaturas.
Mistério.
Uma proposta que poderia render
uma história fantástica.
Mas, para mim, o roteiro acabou
se perdendo em determinados momentos. A narrativa ficou confusa e algumas
ideias que pareciam promissoras não receberam o desenvolvimento que eu
esperava.
Uma verdadeira “colcha de
retalhos”, numa linguagem popular.
O filme pós-série, The Future
Daybreak, ou “O Futuro do Amanhã”, amenizou um pouco a frustração, ligando
algumas pontas soltas, principalmente no que diz respeito à personalidade de
Hotarou Ichinose, o Kamen Rider Gotchard.
Mas não foi suficiente para tirar
a má impressão de um final frustrante.
Isso, porém, é assunto para outro
artigo.
E aí veio a notícia:
A série seguinte seria...
Kamen Rider Gavv.
E qual era o tema?
DOCES!
Doces! Balas! Chocolates! Gomas!
Meu Deus do céu — pensei, incrédulo.
Gente... depois de uma série
sobre alquimia que tinha me deixado decepcionado, agora vinha um Rider baseado
em guloseimas?
É sério isso?
Eu olhei para aquilo e pensei:
“Ah, não vou assistir.”
Inclusive, falei isso no grupo de
fictors da Mindstormpro.
Não escondi minha opinião.
Eu realmente não estava
interessado.
Aí me lembrei de Kamen Rider
Gaim, cujo tema era frutas e que teve uma das melhores histórias da segunda
fase da Era Heisei.
Se uma série sobre frutas foi
surpreendente, uma sobre doces também poderia surpreender.
Não posso ser preconceituoso a
esse ponto.
“Quer saber? Vou dar uma chance”,
pensei comigo mesmo.
O máximo que poderia acontecer
era eu não gostar e descartar.
Até que eu assisti ao primeiro
episódio.
E aí aconteceu uma coisa que eu não
esperava:
EU ESTAVA COMPLETAMENTE ERRADO!
Porque o primeiro episódio de
Gavv me deu um choque.
Aquilo não era a série leve e açucarada
que eu imaginava.
Havia dor.
Havia solidão.
Havia uma atmosfera sombria e
pesada.
Havia um protagonista carregando
um passado que claramente não seria resolvido com uma simples transformação e
uma batalha contra monstros.
E eu terminei o episódio
pensando:
“Opa...”
Depois veio outro.
E outro.
E outro!
Quando percebi, estava esperando
ansiosamente pelo próximo.
E isso aconteceu praticamente até
o final.
Malditos roteiristas! Eles nos
enganaram direitinho!
UM KAMEN RIDER QUE COMEÇA DOCE...
MAS DEIXA UM GOSTO AMARGO
A grande surpresa de Gavv está
justamente aí.
A série utiliza uma estética que
poderia facilmente resultar em algo infantil ou excessivamente colorido.
Mas o roteiro decide seguir por
outro caminho.
Um caminho nada doce.
E aqui preciso fazer uma observação
que considero particularmente importante.
Em alguns momentos, Gavv parece
resgatar uma tradição que esteve muito presente nos Kamen Riders clássicos da
Era Showa e que acabou ficando um pouco menos central em algumas produções mais
recentes.
Não significa que Gavv seja uma série
Showa.
Muito pelo contrário.
É uma produção moderna, com
linguagem Reiwa, ritmo contemporâneo, humor próprio e uma estética
completamente atual.
Mas, na construção de seu
protagonista e de alguns de seus conflitos, existe uma essência muito familiar
aos primeiros Riders.
A ideia do herói marcado por uma
tragédia que não escolheu.
A transformação ligada ao
sofrimento.
A cirurgia.
A relação complicada entre
humanidade e monstros.
A existência de criaturas que,
apesar de monstruosas, possuem histórias e sentimentos.
E até determinadas referências
visuais.
Tudo isso está presente.
Gavv recupera elementos da tradição
clássica sem deixar de ser uma série Reiwa.
E isso é justamente o que torna
Shoma tão interessante.
Temos uma história densa,
sombria, dramática, comovente e surpreendente.
E o mais interessante é que a série
não abandona sua identidade.
Os doces continuam ali.
As transformações continuam tendo
aquela estética divertida.
Os elementos visuais continuam
chamando atenção.
Mas, por trás de tudo isso,
existe uma história muito mais pesada.
E é aí que Gavv começa a
conquistar o espectador.
SHOMA: UM PROTAGONISTA CARREGANDO
MUITO MAIS DO QUE UM GAVV
Quero deixar bem claro a vocês,
prezados leitores do Nipo Heroes, que não pretendo trazer spoilers sobre o
desfecho da história ou sobre o destino final dos personagens.
O que vou abordar aqui são
elementos da premissa, da apresentação dos personagens e dos conflitos
estabelecidos desde o início da narrativa.
Afinal, conhecer a origem de um
personagem não significa necessariamente descobrir como a história termina.
Nesse contexto, iniciamos falando
do protagonista da história:
o jovem Shoma.
Porque a história dele é o coração
emocional da série.
Shoma não é simplesmente um
sujeito que ganhou poderes e decidiu sair por aí combatendo monstros.
Existe um drama pessoal muito
forte envolvendo sua origem, sua família, sua identidade e a maneira como ele
enxerga o mundo.
E é exatamente na origem que a série
acerta em cheio.
Para início de conversa, Shoma é
um ser híbrido:
meio humano, meio Granute.
Os Granutes são uma civilização
que vive em outra dimensão.
Shoma é filho de Michiru Inoue,
uma mulher humana que se relacionou com Bouche Stomach e, por causa disso,
acabou presa no mundo Granute.
Depois da morte misteriosa de
Bouche, os próprios filhos dele mataram Michiru e expulsaram Shoma,
rejeitando-o por aquilo que ele representava:
a prova viva de que o pai deles
tinha amado uma humana.
Ou seja, Shoma cresce sem
pertencer completamente a nenhum dos dois mundos.
Rejeitado pelos Granutes por ser
meio humano.
E, ao mesmo tempo, carregando
dentro de si uma origem que ele mal compreende.
É justamente aqui que percebo um
dos elementos mais interessantes de Gavv.
Shoma recupera uma característica
muito forte dos protagonistas clássicos da Era Showa.
Ele não escolheu sua condição.
Não escolheu ser diferente.
Não escolheu carregar dentro de
si algo que o tornaria alvo daqueles que deveriam aceitá-lo.
A tragédia foi colocada sobre
ele.
E, mesmo assim...
ele decide lutar.
É uma ideia muito presente nos
primeiros Kamen Riders e que acabou ficando um pouco menos central em algumas
produções mais recentes.
Gavv recupera essa tradição, mas
a apresenta dentro de uma linguagem moderna.
Por isso, para mim:
Shoma é um protagonista Reiwa com
uma alma profundamente Showa.
Por um portal de acesso, ele
acaba caindo na Terra.
A primeira pessoa que o acolhe é
um garoto chamado Hajime, que o encontra caído à beira da praia, numa cena cuja
referência remete ao que aconteceu com Shoichi Tsugami, o Kamen Rider Agito.
Ao despertar, Shoma percebe que
está no mundo de sua mãe e se encanta com a Terra, jurando defendê-la com todo
o seu amor.
O garoto Hajime, ao perceber que
Shoma estava com fome, oferece-lhe uma goma de mascar.
Ao provar a guloseima, Shoma se
lembra da mãe dizendo que adorava os doces da Terra e que queria um dia prová-los
novamente com ele.
Essa lembrança imediatamente
causa uma reação inesperada no dispositivo que foi inserido em seu abdômen
através de uma cirurgia contra a sua vontade e que lembrava uma grande boca.
Uma caixinha contendo a referida
goma é criada, ganha vida própria e começa a falar com Shoma, que entende
perfeitamente o que a caixinha lhe diz.
Hajime fica perplexo e tenta
fugir.
Mas, nesse instante, um Granute
aparece e o ataca.
Decidido a defender a criança que
foi tão generosa com ele — e orientado pela caixinha, que implora que ele a
utilize —, Shoma gira várias vezes a manivela da grande boca inserida em seu
abdômen.
A energia da caixinha é
potencializada.
E, para sua surpresa, ele se
transforma em um guerreiro colorido, baseado na guloseima, mas que possui, ao
mesmo tempo, um aspecto bastante bestial.
Surgia assim...
KAMEN RIDER GAVV!
O que mais me surpreendeu no capítulo
de estreia foi que Shoma ainda deu uma chance para o ser Granute se redimir,
perguntando:
“Como vai ser? Você deixará de
atacar os humanos ou eu serei obrigado a te matar?”
Forte, não é mesmo?
Shoma salva o garoto.
Nesse instante , a mãe de Hajime aparece e vê o filho sendo salvo por Gavv, mas se apavora com sia aparência, gritando para se afastar de seu filho, chamando-o de aberração.
O garoto reprrende a mãe, dizendo que foi salvo por ele, mas Gavv, cabisbaixo , parte e tenta compreender como é a vida na
Terra.
Só que a fome era o grande
problema para Shoma.
Devido à fraqueza, ele acaba
desmaiando em um banco de uma praça e é encontrado por Sachika Amane, CEO da
empresa Happipare, que, sem pestanejar, o acolhe e lhe oferece um emprego.
É assim que a série começa.
Os primeiros capítulos focam na
adaptação de Shoma à realidade da vida humana e no seu medo de revelar sua
verdadeira natureza, temendo ser ainda mais rejeitado do que já fora por seus
irmãos da família Stomach.
Ele, do mesmo modo que agiu com
Hajime, tenta se afastar de Sachika.
Mas a ação dos Granutes no mundo
humano faz com que os caminhos dos dois se cruzem constantemente, até que Shoma
finalmente aceita ser funcionário de Sachika em troca de comida e abrigo.
Os capítulos iniciais passam e,
quanto mais descobrimos sobre ele, mais difícil fica assistir.
Porque a série vai revelando aos
poucos que aquele rapaz aparentemente simples está carregando uma quantidade
enorme de sofrimento.
E isso funciona muito bem.
O roteiro não joga todas as
respostas na nossa cara imediatamente.
Ele vai construindo.
Vai apresentando pistas.
Vai criando perguntas.
E, quando algumas respostas
finalmente chegam...
Meu amigo...
Você percebe que aquele negócio
de doces era apenas a embalagem.
O conteúdo era bem mais amargo.
O protagonista Shoma Stomach, o Rider com tema de doces com uma história bem bem amarga
TIO DENTE: O DESERTOR QUE DEU
VIDA AO GAVV
É impossível falar da origem de
Shoma sem falar do Tio Dente.
Dente é um desertor da família
Stomach, um velho Granute fisicamente baseado em uma baleia — uma referência
clara ao icônico Monstro Baleia de Black — que decidiu virar as costas para os
próprios parentes e acabou se tornando responsável pela operação que instalou o
Gavv Driver no abdômen de Shoma.
E esse detalhe muda tudo.
Porque o poder de Shoma não nasce
de um acidente qualquer, nem de uma escolha totalmente sua.
Nasce de alguém que decidiu se
afastar da própria família para proteger um garoto rejeitado por ela.
Isso dá um peso enorme à relação
entre os dois.
Dente não é apenas um mentor.
É, de certa forma, a única figura
que tratou Shoma como alguém que merecia cuidado depois que ele perdeu tudo.
E existe ainda um detalhe
fascinante ligado a essa operação:
dentro de Shoma existe também o
potencial para AkaGavv, o Gavv vermelho.
Essa forma está diretamente
ligada às emoções de Shoma ao experimentar doces.
Quanto mais intensa a emoção
provocada por aquele sabor, mais forte a reação do corpo dele, produzindo
Gochizo, a substância que alimenta essa transformação.
É um detalhe que amarra
literalmente a comida ao estado emocional do protagonista.
E, para uma série sobre doces, é
um dos achados mais inteligentes do roteiro.
OS DOCES SOMBRIOS
E aqui chegamos a um dos
elementos mais perturbadores de Gavv.
Porque nem todo doce naquele
universo é inofensivo.
Existe uma espécie de
entorpecente viciante, cobiçado pelos próprios Granutes, feito a partir de
prensas humanas.
Leia essa frase de novo.
Uma série que parecia ser sobre
balas e chocolates coloridos escondia, dentro da própria premissa, uma metáfora
para:
exploração, vício e desumanização.
E é justamente esse tipo de
escolha que sustenta o argumento deste artigo.
O doce era só a embalagem.
Porque, quando um universo
inteiro constrói sua economia e seus prazeres em cima do sofrimento alheio,
fica muito difícil enxergar aquilo como algo simplesmente fofo ou infantil.
É sombrio.
É desconfortável.
É degradante.
E funciona como uma crítica
social direta sobre o poder destruidor dos vícios e da exploração.
Colocada, obviamente, dentro de
uma sociedade fictícia.
É ou não é estilo Showa raiz?
HIDEKAZU CHINEN: QUE
PROTAGONISTA!
E aqui preciso fazer uma pausa
para elogiar um nome que merece muito destaque:
Hidekazu Chinen, intérprete de
Shoma.
Que talento!
Estamos falando de um jovem ator
que, aos 16 para 17 anos quando do início das filmagens, conseguiu carregar uma
série inteira nas costas.
E não estou dizendo isso
simplesmente porque ele é o protagonista.
Estou dizendo porque Chinen
conseguiu transmitir várias versões de Shoma, todas convincentes:
o rapaz ingênuo;
o rapaz assustado;
o rapaz alegre;
o rapaz confuso;
o rapaz traumatizado;
o rapaz que precisa amadurecer;
e, principalmente, o ser humano
que tenta continuar acreditando nas pessoas mesmo quando a vida lhe dá motivos
para fazer exatamente o contrário.
Até quando deu vida aos Dark
Shomas, uma versão maligna dele mesmo criada por Kenzo Suga, um dos vilões da série,
transformando-se no Blitter Gavv, Chinen deu um show de interpretação.
E aqui faço uma comparação que
talvez pareça ousada.
Quando penso em protagonistas que
conseguiram dar uma dimensão humana muito forte aos seus Riders, lembro
imediatamente de grandes intérpretes como:
Joe Odagiri, o cativante Yusuke
Godai de Kuuga;
Takeru Satoh, como o desastrado e
divertido Ryotaro Nogami de Den-O;
Masahiro Inoue, como o viajante
do tempo arrogante Tsukasa Kadoya de Decade;
e Atsuhiro Inukai, o genial
cientista Sento Kiryu de Build.
E agora eu coloco Hidekazu Chinen
nessa conversa.
Não estou dizendo que eles
interpretam personagens iguais.
Muito pelo contrário!
Cada um possui sua própria
linguagem.
Mas existe algo que aproxima
esses atores:
a capacidade de fazer o
personagem parecer uma pessoa antes de parecer um herói.
E isso é fundamental.
Chinen não interpreta apenas
Shoma.
Ele nos faz acompanhar Shoma.
Sentir suas dúvidas.
Sentir suas dores.
Comemorar suas pequenas vitórias.
E sofrer quando ele sofre.
Para um protagonista de Kamen
Rider, isso é uma baita conquista.
E é exatamente o que coloca
Chinen ao lado desses nomes que citei: não pela semelhança dos personagens, mas
pela mesma capacidade rara de fazer a armadura parecer secundária diante da
pessoa que existe dentro dela.
As várias facetas de Hidenazu Chinen, o jovem talentoso ator que entregou tudo em Gavv.
HANTO: A DOR QUE VIROU VALEN
E então temos o colérico e
impulsivo repórter freelancer investigativo Hanto Karakida.
Referência a Shinji Kido, o
Ryuki?
Certamente.
Outro personagem que poderia
facilmente ser apenas o tradicional “segundo Rider”.
Mas não.
Hanto possui sua própria trajetória,
sua própria dor, seus próprios objetivos e, principalmente, uma maneira
diferente de reagir aos acontecimentos.
Investigando os misteriosos
desaparecimentos de humanos, Hanto acaba se deparando com Gavv em ação e
descobre a atuação dos Granutes.
E isso lhe desperta um gatilho
doloroso e traumático.
Enquanto Shoma carrega
determinados conflitos ligados à sua origem e à sua família, Hanto possui uma
relação muito particular com a tragédia que movimenta sua vida:
a dolorosa lembrança do
desaparecimento de sua mãe diante dos seus olhos, quando ele ainda era criança,
causada por uma criatura que ele tinha certeza de que não era humana, mas cuja
lembrança não conseguia recuperar completamente.
Somada à morte do homem que
cuidou dele como um filho e lhe ensinou tudo sobre a profissão de jornalismo,
foi a gota d’água para Hanto querer fazer justiça com as próprias mãos.
E isso cria uma dinâmica muito
interessante.
Não estamos simplesmente diante
de dois heróis que lutam lado a lado.
Estamos diante de dois seres
humanos tentando lidar com dores diferentes.
E então surge...
KAMEN RIDER VALEN!
Valen, cuja armadura é baseada em
uma barra de chocolate, é muito mais do que simplesmente “o segundo Rider”.
Ele é a materialização da trajetória
de Hanto.
Ao conhecer o trabalho de
pesquisa do misterioso cientista Kenzo Suga sobre os malditos Granutes,
confirmando as suspeitas de Hanto de que eles foram responsáveis pelo rapto de
sua mãe, ele se voluntaria para sofrer a cirurgia e implantar em seu abdômen um
órgão Granute que lhe dava condições de usar um Gochizo que Suga discretamente
roubou de Shoma, em uma cena muito forte.
Era como se eu estivesse revendo
a cena de operação do Issamu Minami e de seu irmão de criação, Nobuhiko
Akizuki, em Black.
O impacto foi o mesmo, pelo menos
para mim.
Olha a Era Showa de volta,
novamente!
Sua armadura carrega visualmente
aquela mistura de doces, tecnologia e agressividade que combina tão bem com a
proposta de Gavv.
E, narrativamente, Valen
representa o quanto Hanto foi transformado pelos acontecimentos.
Hanto não recebe simplesmente um
poder.
Ele assume uma responsabilidade.
E isso dá peso às suas batalhas.
Yusuke Hino, o ator que dá vida a
Hanto, conseguiu transmitir muito bem essa intensidade.
Seu olhar colérico e angustiado
nos faz ter empatia pelo personagem de cara.
Não tem jeito:
a gente sofre junto.
É importante frisar que Hanto é
diferente de Shoma.
E isso é ótimo!
Porque, se os dois fossem iguais,
teríamos um protagonista duplicado.
Hanto questiona.
Hanto se revolta.
Hanto sofre.
É passional ao extremo.
Toma decisões difíceis — muitas
vezes, precipitadas.
E é justamente por isso que ele
funciona tão bem ao lado de Shoma.
RAKIA: O GRANUTE QUE MUDOU A EQUAÇÃO
E então chegamos a Rakia Amarga,
personagem que aparece quase na metade da série.
Aqui a série dá outro passo
importante.
Porque Rakia não é simplesmente
mais um personagem entrando na história.
Ele traz consigo uma perspectiva
que Shoma e Hanto não poderiam oferecer:
a perspectiva de um Granute.
Um Granute que também teve uma
perda dolorosa ao ver seu irmão caçula, Komel, morrer em seus braços,
brutalmente assassinado por se recusar a continuar trabalhando na captura de
humanos para as prensas que eram matérias-primas para a produção dos doces
sombrios, tão apreciados pela sociedade Granute.
E então temos...
KAMEN RIDER VRAM!
O Kamen Rider baseado num pudim!
Pode parecer engraçado:
Kamen Rider pudim!
Mas sua história, tal como
ocorreu com Shoma e Hanto, nada tem de engraçada.
O fato é que Rakia acrescenta uma
dimensão completamente diferente ao grupo.
Se Shoma é aquele que tenta
compreender o outro e Hanto é movido por uma dor humana muito intensa, Rakia
nos permite olhar para aquele conflito pelo outro lado.
E isso é muito importante.
Porque Gavv poderia facilmente
ter construído uma divisão simplista:
humanos bons, Granutes maus.
Mas não fez isso.
Rakia quebra essa lógica.
Ele demonstra que o mundo Granute
possui indivíduos diferentes, com histórias, interesses e valores diferentes.
E isso amplia a discussão da série.
Kohei Shoji, que já havia
brilhado em Mashin Sentai Kiramager, de 2020, conseguiu dar ao personagem uma
personalidade própria, fazendo Rakia se encaixar no grupo sem simplesmente
copiar a dinâmica dos outros dois Riders.
Ao adotar um estilo durão,
rabugento e implicante, principalmente com Hanto e Sachika, Shoji deu a Rakia
uma camada cômica que equilibrou com maestria sua história traumática,
enriquecendo ainda mais o personagem.
SHOMA, HANTO E RAKIA: UM TRIO QUE
FUNCIONA!
E aqui está uma das coisas que
considero mais interessantes em Gavv.
Shoma, Hanto e Rakia formam um núcleo
extremamente forte.
E a palavra que eu usaria é:
SINERGIA.
Porque os três não são iguais.
E justamente por isso funcionam.
Shoma traz o coração.
Hanto traz a indignação.
Rakia traz uma perspectiva
diferente sobre os Granutes.
Shoma procura compreender.
Hanto quer justiça.
Rakia carrega a experiência de
quem conhece aquele outro mundo por dentro, apesar de também querer justiça por
seu irmão.
É quase como se cada um
completasse uma parte que falta aos outros.
E isso cria uma dinâmica muito
boa.
Eles podem discordar.
Podem se irritar um com o outro.
Podem tomar decisões diferentes.
Mas existe uma complementaridade.
E, quando os três funcionam
juntos...
a coisa fica boa!
É um dos melhores núcleos de
Riders da Era Reiwa.
SACHIKA AMANE: A IRMÃ MAIS VELHA
DE TODO MUNDO
E agora precisamos falar dela.
Porque quanto mais penso em
Sachika Amane, mais percebo que ela ocupa um lugar muito especial dentro da
história.
Sachika não é simplesmente “a
garota que ajuda os Riders”.
Ela funciona quase como uma irmã
mais velha protetora daquele núcleo.
A proprietária da empresa
Happipare, que tem a missão de fazer qualquer pessoa que solicite seus serviços
feliz, numa história tão sombria quanto Gavv, é a luz da esperança que emerge
radiante e faz com que acreditemos que a humanidade tem jeito.
Empatia.
Amor ao próximo.
Solidariedade.
Humanidade.
Tolerância com o diferente.
Sachika é a síntese de todos
esses sentimentos nobres.
E isso aparece até na maneira
como ela chama cada um.
Com Shoma, ela tem um carinho
especial.
Ela o chama de:
UMASHO!
E, convenhamos...
Parece doce!
É praticamente um apelido feito
sob medida para um personagem de Gavv.
Rsrsrs.
Mas existe algo muito bonito
nessa relação.
Sachika percebe as fragilidades e
a imaturidade de Shoma — uma criança no corpo de um jovem.
Ela o acolhe.
Ela o protege.
Ela dá bronca quando precisa.
E, ao mesmo tempo, trata aquele
rapaz como alguém que merece carinho.
É quase uma relação de irmã mais
velha e irmão caçula.
E COM HANTO?
Aí muda a história!
Porque Hanto não recebe o mesmo
tratamento.
Para ele, Sachika é praticamente
a irmã mais velha durona.
Aquela pessoa que olha para o
sujeito e pensa:
“Você precisa parar de fazer
besteira.”
Rsrsrs.
E ela o chama carinhosamente de:
HANTY!
E aqui temos outra brincadeira
com doces.
Hanto deveria ser mais doce...
como um chantilly!
Kkkkk.
Essa dinâmica é ótima porque
mostra que Sachika não trata todo mundo da mesma maneira.
Com Shoma, ela é mais protetora.
Com Hanto, ela pode ser mais
firme.
Ela sabe quando acolher.
E sabe quando dar aquela bronca
necessária.
E RAKIA?
Bom...
Aqui temos uma camada diferente.
Existe um sentimento platônico,
muito sutil, da parte de Sachika em relação a Rakia.
Nada exagerado.
Nada que transforme a série em
novela.
É justamente aquele pequeno
detalhe que você percebe nas entrelinhas.
E ela chama Rakia de:
LAKIAN!
Um apelido que combina com a
proposta dos doces e que, de certa forma, combina com o próprio Rakia:
um pudim achocolatado!
E isso é muito interessante
porque mostra outra faceta de Sachika.
Ela consegue olhar para três
personagens completamente diferentes e estabelecer uma relação particular com
cada um.
Umasho.
Hanty.
Lakian.
Três apelidos.
Três relações.
Três formas diferentes de
carinho.
E isso reforça uma coisa que
considero fundamental:
SACHIKA É O ELO HUMANO DO GRUPO.
UMA RIDER SEM ARMADURA
E é justamente por isso que faço
uma afirmação ainda mais forte:
Sachika Amane está no panteão das
grandes personagens femininas da franquia Kamen Rider.
E não estou falando apenas de
Gavv.
Quando penso em personagens
femininas que ajudaram a dar alma às séries, lembro de:
Yuriko Misaki, a Tackle de
Stronger;
Kyoko Aizuki, de Black;
Reiko Shiratori, de RX;
Sakurako Sawatari, de Kuuga;
Yui Kanzaki, de Ryuki;
Airi Nogami e Hana, de Den-O;
Natsumi Hikari, de Decade;
Akiko Narumi, de W;
Poppy Pipopapo, de Ex-Aid;
Misora Isurugi e Sawa Takigawa,
de Build;
Izu, de Zero-One;
Mei Sudo, de Saber;
e Sakura Igarashi, de Revice.
Agora acrescentem:
Sachika Amane.
Porque ela possui uma característica
que parece simples, mas é extremamente poderosa:
ela se importa.
Ela acolhe.
Ela escuta.
Ela ajuda.
Ela oferece carinho quando o
mundo ao redor parece ter esquecido o significado dessa palavra.
E isso é muito mais importante do
que parece.
Porque empatia é um sentimento
nobre.
E, ao contrário de determinadas
tendências passageiras...
EMPATIA NUNCA SAI DE MODA.
Sachika representa justamente
isso.
Ela não precisa de Driver.
Não precisa de transformação.
Não precisa de uma forma final.
Porque aquilo que ela oferece aos
outros personagens é uma coisa que nenhuma armadura consegue fabricar:
humanidade.
Por isso, para mim:
SACHIKA É UMA KAMEN RIDER SEM
ARMADURA.
A FAMÍLIA STOMACH: CINCO VILÕES,
CINCO PERSONALIDADES
Agora precisamos falar de um dos grandes acertos da série: a família Stomach.
A terrível familia Stomach - Nievl, Glotta, Lango, Shita e Jeep - os irmãos barra pesada de Shoma
Os problemáticos irmãos que
renegam Shoma e comercializam os doces sombrios.
E aqui eu preciso aprofundar um
pouco.
Porque não acho justo tratar
Lango, Glotta, Nielv, Shita e Jeep simplesmente como “a família dos vilões”.
Eles possuem personalidades
diferentes.
E isso é fundamental.
LANGO STOMACH — O PODER
Comecemos por Lango, o mais
velho.
Lango representa a autoridade.
Possui aquela presença de quem
está acostumado a ocupar uma posição de poder e não precisa necessariamente
sair correndo para demonstrar que é perigoso.
A própria maneira como se
comporta já transmite autoridade.
Isso ajuda a estabelecer a família
Stomach como uma estrutura de poder.
Lango não é apenas um adversário
de Shoma.
Ele representa todo um sistema de
ganância e poder que se estabelece à custa dos vícios e da miséria moral de
grande parte da sociedade Granute.
E isso torna o conflito maior.
GLOTTA STOMACH — A FORÇA DA FAMÍLIA
Depois temos Glotta, a perigosíssima
e traiçoeira.
Aqui novamente o roteiro evita
criar uma personagem feminina simplesmente colocada ali para completar o grupo.
Glotta possui personalidade,
presença e uma maneira própria de agir.
Ela é quem mais parece disposta a
fazer o que for preciso para manter a família unida.
E é justamente essa lealdade
quase cega que a torna imprevisível.
Nunca se sabe se ela vai proteger
alguém ou destruí-lo por causa dessa mesma lealdade.
Ela ajuda a mostrar que os
Stomach não funcionam como uma organização militar formada por soldados que
obedecem ordens.
Eles são uma família.
E família...
Bom...
Todo mundo sabe que pode ser
complicada!
Rsrsrs.
NIELV STOMACH — QUANDO A CIÊNCIA
ASSUSTA
E então temos Nielv.
Para mim, um dos personagens mais
interessantes justamente porque representa uma face diferente da ameaça.
Enquanto alguns vilões trabalham
pela força, pela autoridade ou pelos interesses da família...
Nielv representa o lado científico.
A frieza analítica.
A ação discreta nos bastidores.
A ardilosidade cínica e conspiratória,
típica de uma cobra — justamente na forma Granute em que ele se manifesta —,
sempre pronta para dar o bote na hora certa.
Isso cria uma ligação
interessante com a própria discussão sobre tecnologia, experimentação e criação
dos Riders.
É aqui que a presença de Kenzo
Suga, de quem falaremos um pouco mais à frente, poderia ter sido ainda mais
aproveitada.
O roteiro tinha material para
criar uma conexão ainda mais forte entre ciência, criação de armas e os
conflitos que deram origem a Valen.
Nielv, com seu pé nesse mesmo
terreno científico, poderia ter sido a ponte natural para isso.
SHITA STOMACH — A FAMÍLIA NÃO É
UM BLOCO ÚNICO
Shita também merece ser lembrada.
Ela ajuda justamente a mostrar
que a família Stomach possui diferentes personalidades.
E isso pode parecer um detalhe.
Mas não é.
Enquanto Lango impõe e Glotta
executa, Shita é quem observa — a que parece sempre calculando o próximo passo
antes de agir.
É esse contraste, mais do que
qualquer confronto direto, que dá à família uma textura de gente de verdade, não
de peças intercambiáveis de um mesmo time.
Quando uma família de vilões
possui integrantes que pensam e agem de maneira diferente, ela se torna mais
interessante.
Você não está enfrentando “os
Stomach”.
Você está enfrentando:
Lango.
Glotta.
Nielv.
Shita.
Jeep.
Cada um com uma identidade muito
bem definida.
JEEP STOMACH — PRESENÇA E
PERSONALIDADE
E finalmente temos Jeep, o irmão
gêmeo de Shita.
Um personagem que ajuda a
completar esse núcleo e que possui uma presença própria dentro da família.
Os laços afetivos com sua irmã gêmea
e a tragédia oriunda dos acontecimentos da série — voluntariamente omitidos por
este autor — dão a Jeep uma nuance que o diferencia dos demais.
Posso garantir:
Em certos momentos, por mais vilão
que seja, ainda assim sentimos empatia por ele.
Por incrível que pareça.
Isso não significa que precisamos
concordar com ele ou gostar dele.
A questão é outra:
ele é memorável.
E isso é importante.
Um bom vilão não precisa
necessariamente ser amado.
Precisa deixar marca.
E os Stomach deixaram.
O MUNDO GRANUTE
Não podemos falar da família
Stomach sem nos reportarmos à sociedade Granute e a toda a sua dinâmica de
funcionamento.
Outro aspecto que me surpreendeu.
A série não utiliza simplesmente
os Granutes como monstros aleatórios que aparecem semanalmente para apanhar do
Rider.
Existe uma sociedade.
Existe uma cultura.
Existem famílias.
Existem padrões comportamentais.
Existem vícios.
Existem relações de poder.
Existem interesses.
Existem conflitos.
E, principalmente...
existem indivíduos.
Rakia/Vram é fundamental para que
percebamos isso.
O mundo Granute não é
simplesmente “o mundo dos vilões”.
É um mundo com suas próprias
regras.
Na verdade, o mundo Granute
funciona como uma crítica social implícita que os roteiristas inseriram
brilhantemente na série — a mesma crítica social que funcionou tão bem em
Build, Zero-One e Geats e que torna a franquia Kamen Rider não tão infantil
como se possa supor, com toda a sua filosofia.
Um espelho de nossa própria
sociedade.
Tocar nessas feridas é justamente
uma das coisas que Kamen Rider faz de melhor.
BOCCA E LIZEL ZALDACK — QUANDO
MAIS NÃO SIGNIFICA MELHOR
E justamente por isso minha crítica
à entrada de Bocca Zaldack, o presidente corrupto e ambicioso da Sociedade
Granute, que descobre na comercialização dos doces sombrios uma perspectiva de
se manter no poder, e sua filha, a mimada, fútil e manipuladora Lizel Zaldack,
fica ainda mais forte.
Não acho que sejam personagens
necessariamente ruins.
O problema é outro.
Eles chegam quando o núcleo dos
Stomach já tinha identidade própria.
E, para mim, acrescentaram pouco.
Mais do que isso:
acabaram diminuindo um pouco o
impacto da família que já conhecíamos.
Quando você tem personagens com
personalidades, conflitos e relações próprias, adicionar novos integrantes
perto do fim precisa ter uma justificativa narrativa muito forte.
Eu preferia que o roteiro tivesse
aprofundado ainda mais os Stomach que já conhecíamos.
Porque eles tinham material
suficiente.
Se analisarmos bem, os dois pouco
— ou quase nada — acrescentaram à trama.
KENZO SUGA — O VILÃO QUE PODERIA
TER SIDO O GRANDE MONSTRO
E aqui chegamos a uma das minhas
maiores críticas:
Kenzo Suga.
Meu amigo...
O que fizeram com esse homem?
Que desperdício de material!
Aqui, os roteiristas deram uma
grande bola fora.
Kenzo Suga tinha potencial para
ser o grande vilão da história.
Um cientista ambicioso e, ao
mesmo tempo, ambíguo e perigoso.
Uma figura responsável por
acontecimentos fundamentais.
Alguém ligado diretamente à criação
da armadura de Kamen Rider Valen.
Ou seja...
Estamos falando de um personagem
diretamente conectado a um dos principais Riders da série.
Isso é enorme!
Sem contar que foi ele quem criou
cópias genéticas malignas perfeitas de Shoma, os famigerados Blitter Gavvs, que
deram muito trabalho para o trio de Riders — algo que Nielv, por exemplo, com
toda a sua sabedoria, não foi capaz de fazer.
Portanto, temos um humano cuja
capacidade científica se mostrou, naquele momento, superior à do próprio
cientista Granute.
E havia uma oportunidade fantástica
aí.
Suga poderia ter sido o ponto de
encontro entre:
ciência;
criação de armas;
manipulação;
e as consequências humanas de
tudo aquilo.
Poderíamos ter visto mais
profundamente suas motivações, sua ética distorcida e sua relação com Hanto.
Isso daria ao personagem um peso
ainda maior.
Ele não seria simplesmente “o
cientista maluco”.
Seria alguém cuja inteligência
ajudou a produzir uma ferramenta que acabou mudando a vida de um dos heróis.
E aí está minha maior frustração.
O potencial estava ali.
Tudo indicava que ele poderia
ocupar um espaço gigantesco na história, talvez até se tornar um dos vilões
mais marcantes da franquia.
Algo que, convenhamos, não vem
acontecendo desde Evolto em Build.
Mas o desenvolvimento que
recebeu, para mim, foi decepcionante.
Se eu pudesse...dava uma coça nos roteiristas.
Rsrsrs.
Suga poderia ter sido muito mais.
Eu queria mais desenvolvimento.
Mais consequências.
Mais impacto.
Mais presença.
Kenzo Suga poderia ter ocupado um
espaço muito maior na reta final.
E, particularmente, achei que o
roteiro desperdiçou uma excelente oportunidade.
Minha certeza só aumenta quando
percebo o quão dispensáveis foram Bocca e Lizel.
Coisa de roteiristas... vá
entender.
O VISUAL DAS ARMADURAS
Nossa viagem prossegue.
Agora vamos falar de uma coisa
que, para mim, merece muitos elogios:
as armaduras.
Eu confesso que, quando ouvi que
o conceito seria baseado em doces, fiquei com medo.
Muito medo!
Porque existe uma linha muito tênue
entre:
“Que criativo!”
e:
“Meu Deus... o que fizeram com o
Rider?”
Rsrsrs.
Faiz, Kabuto, W, Wizard e
Zero-One são exemplos de visuais maravilhosos e icônicos que até hoje são
lembrados.
Embora o visual não defina a
qualidade de uma série — Ex-Aid é o exemplo clássico —, coisas muito bizarras
acabam afastando alguns espectadores, e histórias incríveis são deixadas de
lado.
Mas Gavv acertou em cheio na
maior parte das vezes.
Os designs são muito bons.
As armaduras conseguem incorporar
os elementos dos doces sem parecer simplesmente uma fantasia de confeitaria.
Existe identidade.
Existe agressividade.
Existe tecnologia.
Existe presença.
Existe um tom bestial, que
mistura a natureza híbrida de Shoma, metade humano e metade Granute, com o tema
doce.
Claro que existem exceções.
Para mim, a forma Fuwamallow,
baseada em um marshmallow, não funciona tão bem quanto outras.
A geringonça desengonçada da
forma Gurucan, baseada em um pirulito, é outra que me gera incômodo.
Muito incômodo.
Além de desproporcional e pesada,
é visualmente bizarra.
Só mesmo CGI para representá-la!
Duvido que um Suit Actor consiga
vesti-la.
Como se movimentar minimamente
com aquilo?
Mas, no conjunto...
Gavv possui uma das linhas
visuais mais interessantes da Era Reiwa, sobretudo nas formas do final da série.
Essas são maravilhosas:
agressivas;
bestiais;
impactantes.
E isso é uma surpresa
considerando o tema.
Dois ou três erros, no máximo, é
pouco.
Tem séries que erraram muito mais
nesse quesito.
Fica o meu registro.
No meu balanço visual, Gavv leva
8,5.
O GAVV DRIVER: UMA REFERÊNCIA A
BUILD QUE FUNCIONA
Outra coisa que gostei bastante
foi o Gavv Driver.
A referência a Kamen Rider Build é
perceptível e, para mim, funciona muito bem.
E aqui não estou falando apenas
de estética.
A própria ideia do equipamento
combina com o conceito da série.
É uma tecnologia que parece fazer
parte daquele universo.
E, quando uma série consegue
fazer o brinquedo parecer parte da narrativa, já temos um ponto positivo.
Gavv não parece estar
simplesmente dizendo:
“Olha aqui o novo brinquedo!”
O Driver possui função dentro da
história.
E isso ajuda bastante na imersão.
A ABERTURA QUE GRUDA COMO
CHICLETE
E vamos falar da abertura!
Porque...
MEU AMIGO!
Que música grudenta!
Você ouve uma vez.
Depois outra.
Depois outra.
E, quando percebe, está cantando
mentalmente no banho.
Rsrsrs.
Gruda como chiclete!
Mas existe algo ainda mais
interessante.
A própria abertura consegue
representar muito bem o que é Gavv.
Ela começa com aquela energia
leve.
Sorridente.
Colorida.
Quase divertida.
E, conforme avança, a atmosfera
muda.
A música e as imagens começam a
revelar que existe algo muito mais sombrio por trás daquela aparência alegre.
É quase uma apresentação visual
da própria série.
Começa doce. Termina amarga.
Exatamente como Gavv.
“Got Boost?”, interpretada por
FANTASTICS from EXILE TRIBE, para mim, é icônica.
Entrega tudo o que a série
representa.
O ELENCO: TODO MUNDO ENTREGOU O
JOGO
Agora preciso elogiar os atores.
Do protagonista aos coadjuvantes.
Todo mundo comprou a proposta.
Hidekazu Chinen, como Shoma, é o
grande destaque para mim.
Mas Yusuke Hino, como Hanto, também
merece elogios.
Kohei Shoji, como Rakia,
conseguiu dar ao personagem uma identidade muito própria.
E Nozomi Miyabe, como Sachika,
compreendeu perfeitamente a função emocional da personagem.
Mas não para por aí.
Os intérpretes dos antagonistas
também conseguiram fazer com que os vilões fossem mais do que figuras
unidimensionais.
E isso é difícil.
Porque interpretar um personagem
antagonista exige mais do que simplesmente fazer cara de mal.
É preciso transmitir
personalidade.
É preciso mostrar que existe uma
pessoa por trás daquela função narrativa.
E Gavv conseguiu isso.
Em determinados momentos,
chegamos ao ponto de sentir empatia por personagens que, teoricamente, deveriam
ser apenas nossos inimigos.
Isso demonstra o quanto o elenco
conseguiu humanizar aquelas figuras.
GAVV É MELHOR QUE GEATS?
Agora chegamos àquela pergunta
inevitável.
E aqui eu vou assumir a
responsabilidade pela minha opinião:
SIM.
Para mim...
KAMEN RIDER GAVV É A MELHOR SÉRIE
DA ERA REIWA ATÉ AGORA.
E olha que eu gosto muito de
Geats.
Muito!
Geats possui uma estrutura
excelente.
É uma série inteligente.
Tem personagens marcantes.
Tem uma proposta muito bem
construída.
Mas Gavv conseguiu algo que, para
mim, pesa mais:
me envolveu emocionalmente.
Eu queria saber o que
aconteceria.
Queria entender os mistérios.
Queria descobrir o passado dos
personagens.
Queria saber como aquela história
terminaria.
E, principalmente...
Gavv conseguiu me surpreender.
Depois da decepção que tive com
Gotchard, eu não esperava isso.
E talvez seja justamente por isso
que o impacto tenha sido ainda maior.
UM ELENCO ENXUTO FAZ DIFERENÇA
Outro ponto que considero
importante:
Gavv possui um elenco
relativamente enxuto e muito carismático.
Isso ajuda bastante.
Em algumas séries recentes da
franquia, temos tantos personagens, Riders, formas, organizações e subtramas
que, às vezes, alguns acabam ficando pelo caminho.
Gavv conseguiu concentrar melhor
sua atenção.
Os personagens principais têm
espaço para respirar.
Para sofrer.
Para crescer.
Para criar relações.
E isso torna a história mais
pessoal.
Você não sente que está
simplesmente acompanhando uma sucessão de transformações.
Você está acompanhando pessoas.
NOS ENGANARAM DIREITINHO!
E é aqui que voltamos ao título
deste artigo.
Nos enganaram direitinho!
Quando anunciaram uma série de
Kamen Rider baseada em doces, eu pensei:
“Vai ser uma série leve.”
Depois do primeiro episódio:
“Hmm... interessante.”
Alguns episódios depois:
“Isso está ficando sombrio.”
Mais tarde:
“CARACA!”
E perto do final:
“MALDITOS ROTEIRISTAS!”
Rsrsrs.
Porque eles fizeram justamente
aquilo que uma boa história deve fazer:
criar uma expectativa e depois
quebrá-la.
Gavv parecia ser sobre doces.
Mas era sobre dor.
Parecia ser sobre monstros.
Mas era sobre pessoas.
Parecia ser uma história
colorida.
Mas escondia uma narrativa
sombria.
Parecia simples.
Mas não era.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Quando terminei Kamen Rider Gavv,
fiquei com aquela sensação rara que poucas séries conseguem provocar.
A sensação de que eu realmente
tinha acompanhado uma história.
Não apenas uma temporada de
televisão.
Uma história.
Com personagens que cresceram.
Que sofreram.
Que erraram.
Que nos fizeram rir.
E que nos fizeram pensar.
Gavv conseguiu misturar ação,
drama, ficção científica, fantasia, humor e emoção sem perder sua identidade.
E, principalmente, conseguiu
fazer isso com uma premissa que parecia, inicialmente, improvável.
Doces.
Quem diria?
Um Kamen Rider com tema de doces
conseguiu entregar uma das histórias mais amargas, humanas e emocionantes da
Era Reiwa.
Existem problemas?
Claro que sim.
Eu gostaria de um tratamento
melhor para Kenzo Suga.
A entrada de Bocca e Lizel
Zaldack poderia ter sido melhor trabalhada.
Algumas escolhas do desfecho
poderiam ter recebido mais atenção.
Mas isso não apaga o conjunto.
Porque, quando coloco tudo na
balança...
GAVV VENCEU.
Venceu a minha resistência.
Venceu a desconfiança.
Venceu a expectativa negativa
depois de Gotchard.
E acabou conquistando um espaço
que eu sinceramente não imaginava.
UM TRIO, UMA AMIZADE E UM MUNDO
DIVIDIDO
E talvez uma das coisas que eu
mais vou guardar de Gavv seja justamente o núcleo formado por Shoma, Hanto e
Rakia.
Gavv.
Valen.
Vram.
Três Riders.
Três histórias.
Três dores.
Três maneiras diferentes de
enxergar aquele mundo.
E, ainda assim, uma capacidade
impressionante de trabalhar juntos.
Shoma traz esperança.
Hanto traz determinação.
Rakia traz compreensão de um
mundo que os outros dois não conheciam da mesma forma.
E, ao redor deles, existe
Sachika.
A pessoa que lembra que, antes de
serem Riders...
eles são seres humanos.
Ou, no caso de Rakia...
um Granute que também aprendeu o
valor da humanidade.
E talvez seja justamente essa
combinação que torne esse núcleo tão especial.
GAVV MARCOU O JIRAYRIDER
E aqui preciso falar como
Jirayrider_Decade.
Existem séries que você assiste.
Existem séries que você gosta.
Existem séries que você
recomenda.
E existem aquelas que...
ficam com você.
Gavv ficou.
Dificilmente vou esquecer a
surpresa que tive ao descobrir que aquela série sobre doces escondia uma história
tão densa.
Dificilmente vou esquecer:
Shoma.
Hanto.
Rakia.
Sachika.
Valen.
Vram.
A família Stomach.
O mundo Granute.
As transformações.
A abertura que grudou na cabeça.
As reviravoltas.
As cenas emocionantes.
E aquela sensação de terminar um
episódio pensando:
“Eu preciso ver o próximo.”
Uma série que começou parecendo
uma brincadeira açucarada e mostrou que, às vezes, os melhores sabores são
justamente aqueles que deixam um pouco de amargor na boca.
Porque uma boa história não
precisa ser perfeita.
Ela precisa ser capaz de nos
fazer sentir alguma coisa.
E Gavv fez isso comigo.
RIDER CARD — KAMEN RIDER GAVV
E como toda boa viagem
Jirayriderana precisa de um Rider Card...
KAMEN RIDER GAVV
Rider: Shoma Stomach
Forma principal: Kamen Rider Gavv
Tema: Doces / guloseimas
Especialidade: Transformar aquilo
que parecia infantil em uma história surpreendentemente sombria!
RIDER CARD: GAVV!
POPPINGUMMY.... JUICE!
Rsrsrs!
Pronto!
Agora sim...
Cartão registrado!
JIRAYRIDER RECOMENDA!
Se você ainda não assistiu Kamen
Rider Gavv, não deixe o tema dos doces enganar você.
Não espere apenas uma aventura
colorida.
Não espere uma história simples.
Não espere que tudo seja açúcar.
Entre nessa viagem disposto a
conhecer uma história sobre:
família, perda, identidade,
empatia, vingança, humanidade e esperança.
E talvez você descubra, como eu
descobri:
QUE O DOCE ERA APENAS A
EMBALAGEM.
O VERDADEIRO CONTEÚDO... ERA
MUITO MAIS AMARGO.
Então é isso, pessoal!
Essa foi mais uma edição de:
“JIRAYRIDER ASSISTIU, JIRAYRIDER
RECOMENDA”.
Gavv me enganou.
Gavv me surpreendeu.
Gavv me marcou.
Eu sou apenas um escritor de
artigos de passagem.
Passo por uma série.
Observo seus personagens.
Viajo pelo seu mundo.
Registro aquilo que ela me fez
sentir.
E sigo para a próxima viagem.
Mas algumas séries...
algumas simplesmente não deixam
você ir embora do mesmo jeito que entrou.
Gavv é uma delas.
Por isso, depois de tudo...
Jirayrider assistiu!
Jirayrider analisou!
Jirayrider foi enganado pelos
doces!
Rsrsrs.
E, apesar das ressalvas...
JIRAYRIDER RECOMENDA!
Fiquem com Deus e até a próxima!
Bye!
E como sempre...
EU SOU APENAS UM VIAJANTE
PASSANDO POR ESTE MUNDO... UM VIAJANTE QUE PASSOU POR GAVV.
JIRAYRIDER_DECADE
HENSHIN!
KAMEN RIDE... DECADE!






































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