segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Martírio - Asterix no banco dos réus

                                         

Capítulo único - um julgamento de cartas marcadas.

Estamos no ano 50 antes de Cristo. Toda a Gália foi ocupada pelos romanos... Toda? Não! Uma aldeia povoada por irredutíveis gauleses ainda resiste ao invasor. E a vida não é nada fácil para as guarnições de legionários romanos nos campos fortificados de Babaoum, Aquarium, Laudanum e Petibonum...

Pois bem. Era mais um dia como qualquer outro na aldeia em questão. Os romanos, após a última derrota para os gauleses sob o comando de Asterix e Obelix, resolveram recuar para se reorganizar e assim dar início a uma nova ofensiva. Ou seja, deram um passo para trás para depois dar dois ou três adiante.

Mas, enquanto os romanos não voltam com mais legiões, algumas coisas acontecem na aldeia em que Asterix e Obelix vivem. Asterix e Obelix aproveitam a folga para irem a floresta caçar bisões e assim trazer comida não apenas para eles, como também para todo o vilarejo onde vivem.

E enquanto Asterix e Obelix caçam bisões na floresta, uma turba misteriosa vem do futuro. Não se sabe como que eles conseguiram voltar ao tempo, mas o fato é que eles estão lá, com sangue nos olhos e querendo capturar Asterix. “Asterix e Obelix têm que pagar, esses malditos racistas e discriminadores de povos indígenas!”, um desses militantes diz.

A turba de militantes em questão é de um grupo chamado Antifa, e eles chegam à aldeia na qual Asterix e Obelix moram. Estão procurando por eles, e depois de certo tempo o encontram. Eles olham feio para cima de Asterix e Obelix, e a dupla, por seu turno, já sente que estes estranhos têm intenções nada amigáveis.

Asterix (desconfiando das intenções deles): “Por Tutatis! O que querem de mim, estranhos?”.

Militante Antifa: “Asterix, Obelix! Sentencio-lhes a um cancelamento sumário!”.

Obelix: “Cancelamento, mas que porcaria é essa? De onde será que vocês tiraram isso? Eu hein...”.

Asterix: “Esse cara não bate bem da cabeça, pelo visto”.

Obelix: “Eu diria que ele tem é nada na cabeça”.

A turba de militantes parte para cima dos intrépidos gauleses. E ante a força esmagadora de Obelix e Asterix eles não podem fazer nada. A dupla os estraçalha um atrás do mundo. Mas eles são muitos, e um deles, sem ser notado, pega uma zarabatana e paralisa os gauleses por meio de dardos anestésicos. Uma vez paralisados, os dois são amarrados a um poste de madeira por meio de cordas bem fortes.

Depois de alguns minutos, o efeito anestésico chega ao fim e a dupla acorda. E assim começa o júri “popular” contra os dois guerreiros. Um verdadeiro júri de cartas marcadas, diga-se de passagem. E a acusação que pesa em cima de Asterix e Obelix é que eles são uma dupla de “racistas, fascistas, homofóbicos e machistas irremediáveis que odeiam indígenas e negros”. Detalhe: Asterix e Obelix nunca viram um indígena americano ou um negro da África subsaariana em toda a vida deles e nem sabem o que significam as referidas palavras. E nenhum desses que acusam Asterix e Obelix de serem racistas são negros e/ou indígenas, embora falem em nome deles (e de um jeito bem demagógico, diga-se de passagem).

Acusador: “Asterix e Obelix, sentencio vocês à morte na fogueira, por serem racistas, fascistas, homofóbicos e machistas irremediáveis que odeiam negros e indígenas. Vocês não têm vergonha de serem o que são?”.

Asterix: “Nós, racistas, fascistas, homofóbicos e machistas?! Ora essa, nem sei o que esse teu vocabulário modernoso significa! Acho que você está na época errada, meu caro”.

Obelix: “Espere, de onde você tirou isso?! Não estou entendendo nada do que está acontecendo!”.

Acusador: “Vocês não tem o direito de dizer nada neste júri, seus fascistas imundos malditos! Por causa de pessoas como vocês os índios do Canadá estão sofrendo toda sorte de problemas! Eles estão sendo discriminados e mortos impiedosamente por pessoas vis como vocês, e vocês ajudam a disseminar estereótipos infames sobre eles!”.

Asterix: “Eu, disseminando? Vocês estão inventando coisas sobre nós, isso sim. Pelo que eu estou vendo, você e a tua turba falam muito em igualdade, diversidade e sem um mundo certas mazelas, mas no fundo vocês não passam de um bando de hipócritas! Na verdade, eu tenho é pena de vocês. Mais precisamente, da idiotice e da hipocrisia de vocês. Onde já se viu... Vocês são piores que os romanos, sabiam? Muito piores inclusive”.

Obelix: “Canadá, indígenas, mas o que é isso? É algo de comer ou coisa do tipo?”.

Acusador: “Silêncio, seus racistas e fascistas malditos! Vocês arderão nas chamas da justiça social, que lhes dará o fim que pessoas como vocês merecem!”.

Asterix: “Eu não entendo o vocabulário modernoso de vocês, mas há algo que está bem claro para mim. Mais claro que água cristalina. Como vocês querem um mundo mais justo e mais harmônico, sendo que o que vocês fazem é espalhar mais ódio, mais caos, mais discórdia? E ainda por cima em nome de uma pretensa justiça social? Vocês são uns demônios que lavam sangue com sangue, e no fim das contas o que vão conseguir é a antipatia de outras pessoas para com vocês”.

Obelix: “E podem ter certeza que as chamas que hoje vocês ateiam em nós um dia irão também consumi-los, inexoravelmente. E se vocês acham que nos matando os problemas das pessoas que vocês dizem defender irão ser resolvidos, podem tirar o cavalinho da chuva”.

Como já dito antes, isto se trata de um julgamento de cartas marcadas. As palavras de Asterix e Obelix não sensibilizam nem um pouco os militantes Antifa, que por sua vez sentenciam Asterix e Obelix à morte por meio da fogueira. A fogueira da justiça social, segundo as palavras desses militantes. Eles ateiam fogo, e as chamas consomem os dois heróis.

E assim nossos ilustres heróis deixam esse mundo, mortos nas chamas da ignomínia e da estupidez de certos militantes de certas causas. Mas nós jamais os esqueceremos, Asterix e Obelix. Que suas vidas sejam exemplos de heroísmo e coragem para todos nós.

Repose en paix, Astérix et Obélix.

Um comentário:

  1. Uma morte sumaria !

    Sem direito a defesas. Mais um bode expiatório.

    No caso, dois .

    Dessa vez , foi o Asterix e o Obelix.

    Da outra vez , foi o Peppe La Gambá.

    Mas as palavras de Asterix, uma sentença contra a hipocrisia nunca deixará de ser verdade.


    Ecoarão como um aviso que nunca se apagará!

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