Já faz certo tempo que escrevi uma história similar envolvendo o Pepe Le Gambá, em que ele é cancelado e depois morto por um bando de militantes da Black Lives Matter. Agora resolvi escrever uma história similar, envolvendo o Asterix e o Obelix, depois que soube de um caso medonho ocorrido no Canadá.
O caso é o
seguinte: esses dias descobriu-se que no Canadá, há dois anos, queimaram 4716
livros e revistas em quadrinhos que até então estavam em posse de uma rede de
30 colégios da região sudoeste do estado de Ontario, sob o pretexto de combater
a discriminação em relação aos povos indígenas locais (o Canadá tem um séria
questão envolvendo os povos indígenas locais, visto que ultimamente andaram
descobrindo tumbas de crianças indígenas situadas próximas a colégios internos.
Túmulos esses que não têm nomes).
E entre esses
livros e revistas queimados se incluem enciclopédias, romances e quadrinhos. E
entre os quadrinhos, edições de obras de personagens icônicos tais como Tintin,
Asterix, Lucky Luke e Pocahontas.
É um caso que
me enoja profundamente. Ainda mais para mim, que sou fã de longa data das
histórias do Asterix e do Obelix e que até já comprei livros encadernados deles
há alguns anos. E some-se a isso o fato de que uma das incitadoras dessa queima
de livros, a senhora Suzy Kies, a autoproclamada “guardiã” do “saber indígena”
e copresidente da Comissão dos Povos Indígenas do Partido Liberal (o partido ao
qual pertence o premiê Justin Trudeau), vem a tempos fazendo demagogia em torno
da questão indígena canadense. Visto que ela por anos alegou ter ancestralidade
indígena e recentemente descobriu-se por meio de uma investigação da Radio
Canada que ela na verdade não tem. Ou seja, o típico sujeito que adora fazer
demagogia em cima dos indígenas (algo similar ao que o Moe faz naquele episódio
dos Simpsons em que ele tem um bar gay).
Depois desse
episódio lamentável, certas militâncias também andaram queimando Igrejas no
Canadá (que vem embarcando na onda do politicamente correto desde que Justin
Trudeau [recentemente reeleito] tornou-se primeiro ministro – a propósito, tenho um primo que mora e
trabalha lá e ele não vai nem um pouco com a cara dele) depois das descobertas
das já citadas tumbas anônimas de crianças indígenas. E ai eu lanço a seguinte
pergunta: os problemas que atormentam os indígenas canadenses hoje serão
resolvidos queimando Igrejas e livros, caçando pelo em ovo através de uma
iconoclastia bem a la Estado Islâmico (que destruiu monumentos como o leão de
Palmyra na Síria)? Óbvio que não.
Fazendo uma
analogia, isso é que nem chamar favela de comunidade, índio de povo originário
e outras gambiarras linguísticas similares: uma operação cosmética que não
resolverá situação concreta alguma. Inclusive pode fazer com que a resolução da
questão indígena no Canadá fique mais longe de ser resolvida.
Esses antifas
e Black Lives Matter da vida queimam Igrejas e livros e os indígenas canadenses
continuam a sofrer de problemas como falta de acesso à água e outros elementos
vitais ao modo de vida deles e com suas terras sendo invadidas por corporações
bilionárias do mesmo jeito. Resumindo a ópera, esse tipo de operação é como um
lava rápido: lava-se o carro por fora, mas não por dentro.
E, além
disso, há outro motivo que me deixa consternado com isso: levando em conta que
tanto a esquerda quanto a direita brasileira (em especial os setores mais
mainstream) adoram copiar o que vem da América do Norte e da Europa ocidental,
quem não me garante que isso lá na frente não vá incentivar iniciativas iconoclastas
similares por aqui, por meio da queima de livros de autores de séculos passados
tais como Francisco Adolfo de Varnhagen, Euclides da Cunha, Machado de Assis,
Monteiro Lobato e outros tantos, sob o mesmo pretexto de combate ao racismo e
outros similares? Afinal, essa mesma gente andou incendiando estátuas de
figuras históricas como Pedro Álvares Cabral e Borba Gato sob um pretexto
similar e há tempos vem falando em reescrever e até mesmo censurar as obras de
Monteiro Lobato por suposto racismo e eugenismo nas obras dele. E isso não
passa de uma brincadeira de caça-fantasmas, no fim das contas.

Cada vez mais , a intolerância prospera .
ResponderExcluirTriste e lamentável!
Não sei onde ouvi essa frase , mas ela cabe aqui:
Podem se queimar livros, mas não podem se queimar as ideias.